quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Piadas Brasilienses

É a velha história da piada pronta. Basta desembarcar no aeroporto internacional Presidente Juscelino Kubitscheck para que se perceba os primeiros indícios de comédia. O humor circula pelo ar, como que debaixo da velha lona os circos. Exato: pode-se dizer que Brasília está coberta pela lona de um circo monumental e majestosamente erguido em pleno cerrado Brasileiro. O picadeiro? Ora, apenas uma dica: possui duas torres e duas cúpulas, consideradas como uma obra-prima da arquitetura contemporânea, um primor parido pela genialidade de Oscar Niemeyer. E dentro dessas cúpulas, em determinados horários, o espetáculo toma corpo. Os protagonistas, vestidos dessa vez de terno e gravata, ao invés de realizarem malabarismos e trapalhadas corporais, inovam a arte circense, e apresentam diariamente ao brasileiro um outro tipo de perfomance, conhecida popularmente como o discurso político.

Senão vejamos: Renan Calheiros, aquele mesmo, na tribuna, defendendo efusivamente José Sarney (!) e vendendo ética a todo o território nacional via TV Senado, foi a piada mais bem bolada dos últimos anos. Confesso que ainda esboço um sorriso quando lembro da cena. Os cabelos ralos do senador sob a luminosidade abundante do Senado também dão um toque muito especial ao quadro humorístico. E não ficamos somente nisso, respeitável público. A casa oferece mais feirantes de ética sob a lona mais democrática do Brasil. Fernando Collor de Mello, o glorioso dono das Alagoas, o daquilo roxo, precisava oferecer a sua parcela de contribuição. Não satisfeito com seu brilhante desempenho de 1992, o eterno caçador de marajás volta ao Senado. O fato, por si só, é outra piada magnífica que somente Brasília poderia nos proporcionar. Não satisfeito, o senador alagoano se exalta ao defender seu nome de senadores inconvenientes e mal-intencionados, como Pedro Simon e Cristóvão Buarque. Explêndido! Maravilhoso! Bravíssimo. O público clama por bis antes dos leões e dos engolidores de lanças.

E quem disse que a diversão acaba por aqui? Quando o estômago arrebenta e as lágrimas despencam em direção à boca que gargalha, Renan Calheiros trava um diálogo de altíssimo teor com Tasso Jereissati, e fecha com chave de ouro a sessão comédia da primeira semana de agosto de 2009. Admito que testemunhar uma interpretação de dois comediantes de primeiríssima linha do humor brasileiro, utilizando expressões tão inovadoras como "dedo sujo", "coronel de merda", "cangaceiro" - etc, etc, etc - fez com que eu relembrasse dos áureos tempos do glorioso Chico Anysio e Jô Soares na televisão.

Realmente, depois de toda essa magnífica apresentação hilariante, eu chego a conclusão que o Brasil ainda não aprendeu a fazer dinheiro. Enquanto somos engolidos pela programação humorística enlatada dos EUA e de outros países menos engraçados, poderíamos estar empacotando esses momentos memoráveis, e vendendo-os para programas humorísiticos do mundo inteiro. Seria um sucesso! Seríamos reconhecidos, formalmente, como a terra do bom humor. Veja que oportunidade Brasília está deixando passar. E olha que essa cidade não é de perder dinheiro, hein?

Grande Brasília! Mal posso esperar pelas próximas apresentações de nossos melhores homens do palco. Sei que virão. Afinal, as piadas de Brasília não cansam de me surpreender.

Sinceramente, em outros tempos eu diria que isso tudo era o fim do mundo.

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