segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A antologia da diferença

O que vocês achariam de Luis Fernando Verissimo, Marcelino Freire, Altair Martins, Gonçalo M. Tavares, Luandino Vieira, Ondjaki, Reginaldo Pujol Filho e outros autores consagrados, reunidos na mesma obra? O que há de comum entre eles, além de serem escritores que utilizam a língua portuguesa como ferramenta de trabalho?

Em Desacordo Ortográfico, antologia organizada pelo próprio Pujol, estes expoentes da literatura de língua portuguesa desfilarão seus textos que fogem do convencional, utilizando a palavra no seu limite, sem preocupações excessivas com o novo acordo ortográfico, mostrando ao leitor que literatura de boa qualidade se faz com liberdade, e não com convenções ultrapassadas que pregam o igual, o pré-fabricado.

A obra, que provavelmente será lançada no próximo mês, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, será editada pela Não Editora, parceira dos projetos de qualidade literária no RS. Mas um tira-gosto de seu conteúdo pode ser conferido no site do projeto, onde os autores participantes da antologia lêem os textos de seus colegas.
Mais uma ideia maravilhosa de Reginaldo Pujol Filho, que depois do sucesso de seu Azar do Personagem - livro de contos que promoveu sua estreia literária - aventura-se na difícil tarefa de organizar um livro cheio de tubarões, acostumados a nadar em águas profundas. Não podemos nos queixar que os novos autores não fazem sua parte em mexer com o mercado editorial. Façamos a nossa prestigiando obras de qualidade. Acessem o site! Divulguem o Desacordo! Adquiram o livro.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Livros montevideanos

Neste final de semana, casualmente estive na Feira Internacional do Livro, em Montevidéu. Estava buscando agendar uma visita à Casa de Escritores del Uruguay, na capital uruguaia, quando uma de suas diretores me informou por e-mail que estariam com um estande na feira, na esplanada da Intendencia Municipal. Esta é a 32ª edição da Feira Internacional do Livro, promovida pela Câmara Uruguaia do Livro, que possui uma estrutura parecida com a Feira do Livro de Porto Alegre. No entanto, a versão montevideana mostra-se infinitamente menor. Quando digo menor, me refiro ao tamanho, não à qualidade. A feira da esplanada possui uma programação intensa, com mesas redondas, palestras, espetáculos artísticos e entrega de prêmios culturais. No entanto, quando se analisa a quantidade de expositores e frequentadores, realmente nossa feira ainda encontra-se muito à frente. Toda a estrutura da FIL está montada em frente à Intendencia e, também, em seu interior, no salão principal, onde se encontram as principais editoras e estandes de países e organizações culturais. As livrarias ficam do lado de fora, sob um toldo único, formando um túnel branco no pequeno espaço destinado ao evento, no costado da Avenida 18 de Julio.


Neste túnel das letras, no citado estande da Casa de Escritores, conheci a gentilíssima Teresa Puglia, escritora uruguaia e membro da Casa, que tem como objetivo promover a literatura uruguaia e seus novos escritores. Comentei com ela que me incomoda o fato de não chegar até nós, aqui no Brasil, obras da nova geração de escritores uruguaios. Além dos medalhões, como Onetti, Morosoli, Benedetti, Arregui, etc., nada mais é publicado por nossas editoras. Marisa fez um apanhado rápido de livros publicados pela Casa, deixando-me perplexo com a quantidade de novas obras nacionais, e com a diversidade de nomes que brotam de sua literatura. Por outro lado, ela comenta que os uruguaios não recebem as obras dos jovens autores brasileiros. Alguns nomes do Rio Grande do Sul ainda circulam por lá, como Charles Kiefer, Mario Quintana, Moacyr Scliar. Mas dos novos, nada. Como o movimento era intenso nos estandes, trocamos algumas impressões breves e algumas promessas de contato futuro. Teresa, que é autora de mais de 8 livros, todos publicados no Uruguai, gentilmente me presenteou com uma de suas obras, chamada La Herida Misma, publicada pela Bianchi Editores, contendo mais de 50 poemas. Comentei sobre meu projeto pessoal de traduzir alguns autores uruguaios para o português e fiquei de enviar a ela o pouco que tenho publicado de meus contos em antologias e concursos - pois ela lê em português, e ficou interessada naquilo que chamo de literatura fronteiriça, e que ela chama de literatura uruguaia.


Um país tão próximo. Uma cultura tão gêmea. Um desconhecimento tão inexplicável.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Piadas Brasilienses

É a velha história da piada pronta. Basta desembarcar no aeroporto internacional Presidente Juscelino Kubitscheck para que se perceba os primeiros indícios de comédia. O humor circula pelo ar, como que debaixo da velha lona os circos. Exato: pode-se dizer que Brasília está coberta pela lona de um circo monumental e majestosamente erguido em pleno cerrado Brasileiro. O picadeiro? Ora, apenas uma dica: possui duas torres e duas cúpulas, consideradas como uma obra-prima da arquitetura contemporânea, um primor parido pela genialidade de Oscar Niemeyer. E dentro dessas cúpulas, em determinados horários, o espetáculo toma corpo. Os protagonistas, vestidos dessa vez de terno e gravata, ao invés de realizarem malabarismos e trapalhadas corporais, inovam a arte circense, e apresentam diariamente ao brasileiro um outro tipo de perfomance, conhecida popularmente como o discurso político.

Senão vejamos: Renan Calheiros, aquele mesmo, na tribuna, defendendo efusivamente José Sarney (!) e vendendo ética a todo o território nacional via TV Senado, foi a piada mais bem bolada dos últimos anos. Confesso que ainda esboço um sorriso quando lembro da cena. Os cabelos ralos do senador sob a luminosidade abundante do Senado também dão um toque muito especial ao quadro humorístico. E não ficamos somente nisso, respeitável público. A casa oferece mais feirantes de ética sob a lona mais democrática do Brasil. Fernando Collor de Mello, o glorioso dono das Alagoas, o daquilo roxo, precisava oferecer a sua parcela de contribuição. Não satisfeito com seu brilhante desempenho de 1992, o eterno caçador de marajás volta ao Senado. O fato, por si só, é outra piada magnífica que somente Brasília poderia nos proporcionar. Não satisfeito, o senador alagoano se exalta ao defender seu nome de senadores inconvenientes e mal-intencionados, como Pedro Simon e Cristóvão Buarque. Explêndido! Maravilhoso! Bravíssimo. O público clama por bis antes dos leões e dos engolidores de lanças.

E quem disse que a diversão acaba por aqui? Quando o estômago arrebenta e as lágrimas despencam em direção à boca que gargalha, Renan Calheiros trava um diálogo de altíssimo teor com Tasso Jereissati, e fecha com chave de ouro a sessão comédia da primeira semana de agosto de 2009. Admito que testemunhar uma interpretação de dois comediantes de primeiríssima linha do humor brasileiro, utilizando expressões tão inovadoras como "dedo sujo", "coronel de merda", "cangaceiro" - etc, etc, etc - fez com que eu relembrasse dos áureos tempos do glorioso Chico Anysio e Jô Soares na televisão.

Realmente, depois de toda essa magnífica apresentação hilariante, eu chego a conclusão que o Brasil ainda não aprendeu a fazer dinheiro. Enquanto somos engolidos pela programação humorística enlatada dos EUA e de outros países menos engraçados, poderíamos estar empacotando esses momentos memoráveis, e vendendo-os para programas humorísiticos do mundo inteiro. Seria um sucesso! Seríamos reconhecidos, formalmente, como a terra do bom humor. Veja que oportunidade Brasília está deixando passar. E olha que essa cidade não é de perder dinheiro, hein?

Grande Brasília! Mal posso esperar pelas próximas apresentações de nossos melhores homens do palco. Sei que virão. Afinal, as piadas de Brasília não cansam de me surpreender.

Sinceramente, em outros tempos eu diria que isso tudo era o fim do mundo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

E assim caminha o RS

Antes de mais nada, uma salva de palmas ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Feito isso, explico: o RS foi o estado que menos investiu em educação no Brasil em 2008. Uma proeza dessa dimensão deve ser destacada de alguma forma. Se não com aplausos, talvez com uma medalha à Governadora Yeda Crusius, já que ela está à frente de um governo que investiu 18% do orçamento em uma área absolutamente estratégica, ao invés dos 25% que determina a lei. Ou seja: a partir de agora, o RS não poderá receber recursos da União para projetos educacionais. O que já era pífio, agora transformou-se em nada.

Já sei que amanhã seremos bombardeados por depoimentos de gente do governo, afirmando que os números não são exatamente esses, que o MEC utiliza critérios distintos dos utilizados pelo Piratini, enfim, aquela conversa mole que todos conhecemos muito bem. Aliás, a Secretária da Educação, Mariza Abreu, já se manifestou hoje, afirmando que o estado investiu os 25% que exige a lei (25,57%, segundo ela), e que o MEC utiliza uma forma de cálculo inapropriada para alcançar este percentual. Pois eu digo que bater no peito e encher a boca para afirmar que o estado investiu em educação o percentual mínimo exigido por lei é uma vergonha! Um fato como esse, em um país sério, seria motivo de revolta pública, de posicionamento duro por parte de toda a sociedade. E a senhora Secretária de Educação vai aos microfones contestar números, oferecendo apenas o mínimo que a lei exige?

Vamos ser claros e objetivos, porque tempo é tempo: para abandonarmos o estado de miséria do país e resolvermos os problemas sociais em que estamos mergulhados há séculos, só com investimento absoluto em educação. Um clichê, dados de conhecimento público que ainda não chegaram à porta do Piratini. No entanto, caso a Governadora Yeda Crusius e a Secretária Mariza Abreu ainda não tenham conhecimento dos indicadores sociais e econômicos dos países que investiram em educação, basta que acompanhem exemplos de países como a Alemanha, a França, a Espanha - que vá lá, tem seus problemas, mas mesmo assim ainda estão muito distantes dos nossos. Aliás, aliás... não precisamos ir longe: o Uruguai possui 99,5% de índice de alfabetização, com uma rede de ensino que, em sua maioria esmagadora, é pública e gratuita. Alguns podem dizer que o Uruguai não é exemplo de desenvolvimento econômico, o que é fato. No entanto, a brutal diferença sócio-econômica no país irmão também não serve como exemplo.

O que seria interessante, do ponto de vista da população (lógico), seria uma ação rápida e imediata da Governadora Yeda Crusius em questões de investimento na área educacional. Porque se ela fosse tão ligeira para resolver questões como essa, como foi ao afastar o Secretário de Segurança e a Diretora da FEPAM (que exigia estudo de impacto ambiental para aprovar a plantação de eucaliptos na região do Pampa), meu amigos, estaríamos diante da nova Suíça do mundo, exatamente ao Sul do continente Americano.

Que papelão, Governadora. A senhora podia ter-nos poupado dessa.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Admirável mundo novo

Dia complicado. Sempre ouvi dizer que é exatamente em dias como estes que repensamos tudo, e cobrimos a realidade com o olhar pesado da crítica. Isso me fez lembrar de um monólogo do Chico Anysio, chamado Mundo Moderno. Utilizando somente palavras e verbos iniciados pela letra "M", Chico desenvolve uma pesada crítica a este chamado mundo moderno, batendo forte nas injustiças sociais e apego exagerado ao material. E eu iria ainda mais longe: ao comercial, ao executivo, ao corporativo.

Enfim, eu poderia ficar aqui tecendo uma série de teorias críticas aos valores corporativos e do mundo dos negócios vigentes. No entanto, acho que o vídeo abaixo fala sobre tudo com mais clareza e sintetiza muito bem uma forma de se ver o mundo. Esse mundo moderno que vivemos, cheio de cifras e de metas a cumprir.

Mundinho merda!



segunda-feira, 18 de maio de 2009

O silêncio de Benedetti

O contista silenciou. Hoje certamente o dia amanheceu causando estranhamento em todos que circulavam pelas ruas da América - que eram também as ruas de Montevidéu, mas não mais as mesmas. A palavra morreu em parte e talvez um pedaço de seu corpo tenha sido enterrado junto ao de Mario Benedetti, hoje, na capital uruguaia.

Benedetti desenvolveu e solidificou sua carreira trabalhado de forma impecável nos diversos gêneros nos quais se propôs, principalmente no romance, no conto e na poesia (pessoalmente, o seu predileto). No entanto, sobre mim, seus contos sempre exerceram uma influência mágica. Foi um dos primeiros autores uruguaios com que tive contato, e nele descobri a simplicidade da narrativa, a beleza das palavras escolhidas com cuidado, a extraordinária forma com que conduzia o leitor pelo túnel das dores e conflitos de suas personagens. Um homem sereno, que refletia na sua narrativa a serenidade de seu ser, buscando em cada obra conhecer mais sua gente e a cidade que foi seu leito de morte. Sem dúvida, com Benedetti muitos conheceram uma Montevidéu de sonhos e de dias difíceis, e quase que todos nós, em algum momento, já fomos transportados para suas ruas através de algumas viradas de página em uma de suas obras.

E, de fato, a página virou. Uma frase me vem à mente: um escritor só é notícia quando ganha o Nobel ou quando morre. Nenhuma novidade. Hoje todos os jornais estampavam fotos de Benedetti e matérias pesarosas sobre sua morte. No entanto, não lembro de ler resenhas sobre seus lançamentos, sobre seus prêmios, seu prestígio internacional enquanto ainda era vivo. Precisaste morrer, maestro! Precisaste ir fazer literatura num outro Uruguai, bem mais distante, para que te dessem destaque.

Uma perda enorme. Uma injustiça bárbara.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ficção de Polpa - Último Post

Como o lançamento do Ficção de Polpa 3 já é amanhã, este será o último post sobre ele por aqui (prometo). O fato é que hoje o Ficção é destaque no HQ Maniacs, tradicional publicação de quadrinhos brasileira. Como a antologia possui, além dos contos, uma história em quadrinhos, a HQ abriu um belo espaço para divulgação da obra.

Quem quiser ler os comentários publicados na revista, basta acessar o link abaixo:

http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=noticias&cod_noticia=20479

Para aqueles que desejam ir ao lançamento amanhã, seguem as informações de hora e local:

Lançamento Ficção de Polpa 3
Cult Bar (Porto Alegre)
Rua Comendador Caminha, 348
19h

Haverá exemplares à venda no local (R$ 20)

Até lá!